
O deputado estadual Samuel Moreira (centro), o reitor da Unesp Herman Voorwald (direita) e o assessor da instituição, Carrijo, durante reunião.
O professor Sérgio Hugo Benez, coordenador da Unesp-Registro, afirmou que o conselho universitário estuda a possibilidade de implantação de dois novos cursos, na unidade de Registro, a partir do segundo semestre do próximo ano – Engenharia de Pesca e Agrimensura Cartográfica. Benez disse também que o deputado estadual Samuel Moreira tem mantido reuniões com o reitor Herman Jacobus Cornelis Voorwald para reforçar a necessidade de implantação das modalidades, que são pioneiras no Estado de São Paulo.
A instalação de dois cursos utilizará parte da estrutura existente no Curso de Agronômica, o que implicará no aumento do número de funcionários administrativos e de professores, dobrando o quadro atual na Unesp-Registro e, com certeza, ativando a economia regional.
Os dois cursos foram escolhidos em função do perfil da região. A Engenharia de Pesca pode tornar-se opção econômica para o pequeno agricultor, que é maioria no Vale do Ribeira, agregando valor e aumentando a rentabilidade das propriedades rurais. Também tem campo de atuação profissional pois a pesca é pouco desenvolvida no país.
A Engenharia de Pesca apresenta, ainda, grande produtividade em pequenas áreas: enquanto em um hectare é possível produzir de 400 a 500 quilos de carne bovina por ano, no mesmo terreno produz-se de 10 a 50 toneladas anuais de peixe. “Quanto maior a tecnologia, maior a produção”, explica o professor Benez. O terceiro aspecto positivo dessa profissão é o alto valor protéico do peixe. “Uma piscicultura bem desenvolvida será uma boa oferta de alimento, uma proteína de alta qualidade com preço intermediário entre o frango e a carne”, observa.
O engenheiro de pesca atua em todas as fases da produção à comercialização, envolvendo logística, captação de águas, sanidade, rações e armazenamento, entre outros processos. Em Registro, a ênfase do curso será continental e lagunar, ficando a pesca marítima para um segundo estágio.
A Agrimensura Cartográfica, por sua vez, trabalha temas como georeferenciamento, sinais de satélite e mapeamento, inclusive, de fundos de rios e mares. Também será voltado para o geoposicionamento, conhecido como agricultura de precisão, com uso de tratores que se deslocam por intermédio de sinais de satélite para o plantio. Também identifica áreas de menor produtividade num terreno para corrigir eventuais problemas. “As propriedades terão que ser georeferenciadas mas o governo dilatou o prazo porque faltam profissionais habilitados nessa área no Brasil”, informa o professor Benez, ilustrando o vasto campo de trabalho do agrimensor cartográfico.
Os dois cursos terão duração de quatro anos, com 40 vagas anuais para o vestibular, e o diferencial que Engenharia de Pesca será em período integral e Agrimensura Cartográfica, noturno, com aulas práticas aos sábados, possibilitando que profissionais que já estão no mercado possam agregar valor e conhecimento à atividade que exercem.
“Meu objetivo sempre foi fazer um curso noturno para atender o pessoal da região”, diz o professor Benez. “Outro detalhe: precisamos maximizar essa estrutura pois não tem cabimento ficar parada à noite”, completa.
Se aprovado o curso de Agrimensura Cartográfica, por ser noturno, vai juntar-se à Pedagogia, que funciona com 50 alunos e os 60 jovens do pré-vestibular gratuito patrocinado pela UNESP.
